“Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos;” (Lucas 15:29).
Se eu ganhasse uma moeda para cada vez que me comportei como este jovem, estaria rico. Para piorar, já fiz isso com pessoas humanas e com Deus. Incontáveis vezes entrei na onda de “eu mereço”, esquecendo ou agindo como se tivesse esquecido que alguém morreu por mim e não mereço nada. Já fui pedir aumento ao patrão com esta linha de argumentos tipo “sou um bom funcionário”. Já orei a Deus com colocações no tom de “o Senhor me conhece”. Pode até ser justo, mas não é apropriado e nem tampouco adequado.
A arte de ser pai não é fácil e talvez este senhor rico tenha de fato esquecido de presentear seu filho mais velho, como ele reclamou. Talvez ele falasse a verdade. Talvez até o filho mais novo tenha jogado isso na cara dele, não sabemos. Mas nem por isso murmurar muda alguma coisa.
A pergunta que não se cala: o que este filho ganhou com isso? Não muito mais do que um puxão de orelha do pai, no verso seguinte. Não era isso que ele queria, nem o que ele esperava, mas foi o que ganhou. Isso deve nos servir de lição, pois facilmente este texto pode ser interpretado como sendo o pai (Deus), o filho mais moço (nós) voltando arrependidos do mundo (perdição) para viver de novo com o pai (conversão). Nesta linha, o filho mais velho muito bem podemos ser eu e você enquanto resistimos ao chamado de Deus.
O prazer do pai ao ver seu filho regressando inteiro demonstra quanto o amor ministra perdão e cobre uma multidão de pecados. Só por isso, esta parábola já demonstra seu valor. E nos ensina, de uma linda maneira, que sempre teremos lugar ao lado do Pai, desde que dispostos a buscar perdão.
Busquemos ao Senhor enquanto é tempo. “Senhor, eu agi com ingratidão muitas vezes e reconheço isso. Ensina-me a ser mais grato e a encontrar em ti a minha segurança, meu descanso e minha confiança.”































